sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Minha relação inicial com a leitura

 Eu sou a mais velha de cinco irmãos e devido a essa quantidade de crianças, minha mãe resolveu pedir reforço a nossos parentes. A enviada foi minha prima Amélia que naquela época já devia ter quase 18 anos.  Ela ajudava minha mãe durante o dia e a tarde antes de ir para escola ela sempre parava um pouco e me ensinava a ler, escrever, contava histórias lia poesias. Graças a ela comecei a 1° série já conhecendo as letras, mas ainda não sabia o que era vogal e nem consoante.
                Naquela época, era muito difícil criar cinco filhos, não existiam essas, “facilidades” de bolsa escola, bolsa família, auxílio creche, uniforme, livros e materiais grátis, tudo era pago e éramos obrigados a ir uniformizados para a escola. De tempos em tempos, na escola apareciam uns representantes vendendo brinquedos, roupinhas de bonecas (de papel), blocos de papel de carta, livros e dicionários. E me lembro que no meio de tantas coisinhas “divertidas” que eu poderia ter comprado, resolvi comprar um dicionário, pois se fosse qualquer outra coisa, meu pai não ia liberar o dinheiro (Sábio homem).  E eu tenho esse dicionário até hoje, encapado no plástico quadriculado.
                Voltando lá na minha prima, ela sempre estava num canto lendo, lia muito gibi e outros livros que não recordo no momento. Estou falando dela, pois eu imaginava que quando fosse “gente grande” seria igual a ela. Eu iria desligar a televisão, ou o rádio, me sentar com um livro na mão e iria passar algumas horas ali, lendo em silêncio sozinha.  Um dia minha prima leu um poema, que eu achei tão intenso que ficou gravado na minha memória. Ele começava assim:
                “Na minha terra tem palmeiras,
                 Onde canta o sábia;
                 As aves que aqui gorjeiam,
                Não gorjeiam como lá”.
                Eu nem sabia o que era “gorjeiam”, mas adorei aquele poema, aí você sabe como é criança, durante os dias seguintes também fiz poemas, achei que poderia ser poetiza. Anos mais tarde, saberia que o poema se chama Canção do exílio de Gonçalves Dias, e com a ajuda do meu dicionário descobri o que significa gorjeiam.

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